EDUCAÇÃO FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA E DESEMPENHO ACADÉMICO

Carlos Barrigas, Nuno Figueiredo, Hugo Aurélio, Amália Rebolo

Resumo


Alguns estudos têm associado a prática de educação física (EF) e alguns fatores da aptidão física (AF) com o aumento da vascularização cerebral, o fluxo e a oxigenação sanguínea, a produção de neurotrofinas, a concentração de neurotransmissores, o crescimento de células nervosas no hipocampo, o desenvolvimento de conexões sinápticas, a densidade da rede neural e o volume do tecido cerebral que parecem favorecer a melhoria da atenção, o processamento, armazenamento e recuperação da informação e a cognição.

Este estudo pretende verificar se os resultados obtidos na disciplina de EF e em alguns fatores da AF, se encontram associados aos resultados escolares nas disciplinas do 9.º ano de escolaridade.

A amostra foi constituída por 93 alunos (48 rapazes e 45 raparigas) do 9.º ano de uma escola da periferia urbana de Lisboa, com idades entre os 14 e os 18 anos. Recolhemos os níveis obtidos, em todas as disciplinas, no 2.º período letivo e os resultados obtidos em alguns dos testes de AF (vaivém, extensões de braços e flexões abdominais), de acordo com o Programa Fitescola. Agrupámos as disciplinas do currículo em três áreas que denominámos como Ciências Humanas (Português, Inglês, Francês e História), Ciências Sociais (Geografia, Matemática, Ciências Naturais e Físico‑Química) e Expressões (Educação Visual e Educação Física). Os dados foram tratados com o programa IBM.SPSS – versão 22. Utilizámos o teste t para amostras independentes para verificarmos se existiam diferenças entre os rapazes e as raparigas e a análise da variância (ANOVA – Oneway com Scheffe como pós‑hoc) para verificarmos se existiam diferenças entre os resultados obtidos pelos alunos nas três áreas disciplinares em cada subgrupo de avaliação em EF e AF. Utilizámos o Teste de Kolmogorov‑Smirnov para testar a normalidade da distribuição e o teste de Levene para calcular a homogeneidade da variância. Nas variáveis que não apresentavam homogeneidade da variância recorremos ao teste T2 de Tamhane como post‑hoc para as comparações múltiplas. O grau de significância foi estabelecido em 0.05. Quando dividimos os sujeitos em função do sexo, verificámos que os rapazes obtiveram resultados superiores em EF e nas variáveis relacionadas com a AF, nomeadamente no vaivém, na força abdominal e na força superior. Quando dividimos as raparigas em função dos níveis obtidos em EF não encontrámos diferenças entre os resultados conseguidos nas três áreas disciplinares consideradas. Já nos rapazes verificámos que aqueles que obtiveram melhores resultados em EF conseguiram, também, melhores resultados nas três áreas disciplinares consideradas e nas provas de AF. Quando dividimos os participantes em três grupos em função dos resultados obtidos nos testes de AF não encontrámos diferenças entre os resultados conseguidos nas provas de AF e o desempenho académico nas áreas disciplinares que envolvem maior exigência intelectual, nomeadamente Ciências Humanas e Ciências sociais. Os resultados permitiram‑nos concluir que os rapazes da nossa amostra têm resultados mais elevados em EF e nas provas de AF e que os rapazes com níveis mais elevados em EF têm, também, resultados académicos mais elevados. Não encontrámos diferenças entre os níveis de AF e o desempenho académico, em ambos os sexos.

Palavras passe: Educação Física; Aptidão Física; Desempenho académico.


Texto Completo:

PDF

Apontadores

  • Não há apontadores.


Copyright (c) 2018 Boletim Sociedade Portuguesa de Educação Física

BOLETIM SPEF é uma publicação da Sociedade Portuguesa de Educação Física | eISSN: 2184-1594