Preferência Manual: Suas Relações com os Níveis de Avaliação em Educação Física e com a Assimetria Motora Funcional

Olga Vasconcelos

Resumo


O objectivo deste estudo é contribuir para um melhor conhecimento do desempenho motor da criança sinistrómana e das semelhanças e diferenças que este apresenta relativamente à criança destrímana.

Especificamente, um grupo de 253 crianças (125 rapazes e 128 raparigas) com idade decimal média de 11,24 anos foi dividido em sinistrómanos e destrímanos através da Bateria de Avaliação da Preferência Lateral de Coren et al. (1981).

Em seguida, ambos os grupos foram testados em precisão,destreza e força manual, executando cada teste com a mão preferida e não preferida de onde resultaram diferenciais, posteriormente comparados. Foi também recolhida a nota de avaliação na disciplina de educação física, obtida no 2.0 período do ano escolar.

A análise dos resultados não revelou diferenças significativas entre os sexos relativamente à percentagem de destrímanos e sinistrómanos, apesar destes terem surgido em número mais elevado nos rapazes. Este facto confirma a maioria dos estudos realizados neste domínio. Na avaliação em educação física os rapazes sinistrómanos surgem significativamente destacados dos restantes grupos no nível máximo de avaliação (nível 5).

Esta obervação confirma a hipótese de que os sinistrómanos, vivendo num mundo «ao contrário», pensado para servir os destrímanos, desenvolvem uma série de coordenações na sua mão não preferida, tendo como resultado um grau elevado de ambidestria e de desempenho motor geral. Nos três testes motores aplicados surgiram algumas diferenças significativas entre os dois grupos de preferência para cada sexo: nos rapazes, ao nível do diferencial de destreza; nas raparigas, ao nível da mão não preferida e dos diferenciais precisão e destreza; ao nível da mão preferida, apenas para a precisão. A força não revelou diferenças significativas.

Quanto à diferença entre os sexos, para cada grupo de preferência, registaram-se diferenças significativas para os sinistrómanos, ao nível do diferencial de precisão; e para os destrímanos, ao nível do de destreza.

No primeiro caso, a diferença parece dever-se ao fraco desempenho da mão não preferida dos rapazes; no segundo caso, a um elevado desempenho da mão preferida das raparigas. Confirmando ainda uma outra hipótese colocada, e diversos estudos anteriores realizados neste domínio, os sinistrómanos possuem para os três testes valores diferenciais inferiores aos dos destrímanos.

Finalmente, a ANOV A II demonstrou que a preferência manual interactua de forma muito significativa (p<.001) com as assimetrias motoras funcionais (nas actividades de precisão, destreza e força) e, de forma menos significativa (p<.10), com o desempenho motor geral (traduzido na avaliação em educação física). Isto de forma particular para cada sexo e grupo de preferência manual.


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