O Ócio da Lisboa de 1900. Tradição e mudança nas práticas e representações do ócio urbano

Rui Gomes

Resumo


Se quiséssemos, e pudéssemos, sintetizar numa palavra o tema deste trabalho diríamos que ele trata do tempo.

Tempo que adquiriu valor económico e social; tempo que penetrou as sociedades modernas sob a forma de reestruturação radical e permanente dos ritmos, das alternâncias, das durações. Tempo, portanto, que reestruturou a própria história.

Como é que se desenvolveu este processo de formação dos «tempos modernos»? É precisamente essa a pergunta que tendo obtido já a resposta de alguns historiadores e sociólogos, se mantém sem resposta definitiva, se tivermos em conta uma das características fundamentais da mudança social. Esta não se apoia no tempo, em geral, mas sobre uma reestruturação dos tempos sociais.

Nestes termos, a diversidade e a heterogeneidade dos tempos sociais só pode ser surpreendida na globalidade de uma situação. Para além das modificações da sua morfologia, o que subsiste no tempo é a sua estrutura simbólica, a atitude mental. Temos assim de reconhecer a diversidade dos tempos físicos, biológicos, psicológicos, económicos e sociais. Havemos também que observar a heterogeneidade dos tempos religioso e familiar, do tempo do trabalho e do tempo do ócio.

A hipótese que emitimos é a de que o exame da formação das sociedades capitalistas permite esclarecer alguns passos do processo de formação dos tempos modernos. Mais concretamente, permite o reencontro com a génese de um dos tempos ascensionais das sociedades contemporâneas: o tempo de lazer.


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