Prática desportiva, consumo de tabaco e saúde percebida... Que relação? Um estudo realizado em adolescentes do 3.º Ciclo do Ensino Básico

Tiago Paupério, Nuno Corte-Real, Rui Corredeira, António Manuel Fonseca

Resumo


Como sabemos, a saúde está, em grande parte, dependente do estilo de vida/comportamentos adoptados. Neste sentido, várias investigações, nos últimos anos, têm realizado diagnósticos acerca dos comportamentos de risco e protectores da saúde da população em geral, e dos jovens, em particular mas, no entanto, escasseiam estudos que relacionam esses comportamentos com a forma como cada jovem entende e avalia a sua própria saúde.

Assim, tínhamos como objectivos principais: i) analisar, em função do sexo e da idade, o nível de prática desportiva, o consumo de tabaco e a saúde percebida dos alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico ii) verificar, nesta população, as relações existentes entre a saúde percebida, a prática desportiva e o consumo de tabaco, em função do sexo e da idade.

A amostra foi constituída por 4879 jovens (52% do sexo feminino e 48% do sexo masculino), com uma média de idades de 14,3 anos (±1,36 anos), que se encontravam a frequentar o 3.º Ciclo do Ensino Básico em escolas de Portugal Continental.

O instrumento utilizado foi o “Inventário de comportamentos relacionados com a saúde dos Adolescentes” desenvolvido por Corte-Real, Balaguer e Fonseca (2004).

Principais resultados: i) apenas um, em cada três jovens, praticava desporto com regularidade e os jovens do sexo masculino apresentavam índices de prática superior principalmente na prática desportiva competitiva; ii) o consumo de tabaco era idêntico, em ambos os sexos, e seis em cada cem jovens consumiam regularmente; iii) a prática desportiva diminuía, ligeiramente, com a idade, todavia o consumo de tabaco aumentava consideravelmente; iv) os jovens, de ambos os sexos, com maior prática desportiva e menor consumo de tabaco, avaliavam melhor a sua saúde; v) no entanto, aproximadamente dois em cada três jovens com comportamentos de risco, faziam também uma avaliação positiva da sua saúde.

Estes resultados salientam a importância de se trabalhar com os jovens de uma forma mais aprofundada os conceitos de saúde, comportamentos de risco e comportamentos protectores da saúde, procurando-se assim que os jovens interiorizem estes conceitos percebendo que são responsáveis pela sua própria saúde.


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